sábado, 21 de março de 2009

Quem critica o crítico?

Com esta frase meu amigo e maestro Flávio Chamis, morador ao norte das américas, iniciou um artigo que publiquei no meu blog pessoal há meses atrás. A intensão dele era dar resposta a um "crítico" musical que havia publicado uma resenha literalmente "sentando o cacete" no seu lindo disco Especiaria, lançado lá pelos idos dos anos 2005, pela gravadora Biscoito Fino. O disco é um primor em técnica, repertório, execução. Não poderia ser diferente. Quem o fez é um dos maestros mais competentes que conheço e fez um disco de música brasileira. Veja que interessante! O cara tem formação erudita e edita um disco totalmente de música brasileira cujas composições são todas dele! Bom, resumindo a ópera, o dito crítico foi muito infeliz em suas colocações sobre este belo trabalho de Flávio e teve dele resposta à altura.

Quero dizer com tudo isso que não acredito em críticos em cultura seja ela de que vertente for e ainda mais se a crítica vem de onde não se tem competência para discorrer sobre tal assunto. Como é possível alguem falar de arte sem entender dela? Como é possível alguém falar de dança sem dela entender bulhufas? Como é possível alguém falar de música brasileira sem nenhum ou irrissório conhecimento do que seja a música brasileira e nem sequer ser músico? Como é possível alguém criticar um trabalho sem fazer parte dele, sem entender as nuances de sua elaboração, as dificuldades para sua execução e tudo mais que envolve o fazer artístico num país que pouco dá valor às artes?

É claro que qualquer um de nós pode fazer o papel de crítico! Quem irá nos impedir? Ninguém. E o fazemos todos os dias, ainda mais em se tratando das artes, campo dos mais delicados, cheio de não me toques, encharcado de egos e tudo o mais que nós todos sabemos muito bem. Eu sou a minha maior crítica e isso já me é suficiente.

Criar este espetáculo para Carmen Miranda foi para mim uma inspiração. Produzí-lo está sendo um desafio de corajosa persistência. Se o público capixaba vai gostar dele ou não, aí são outros quinhentos. O que importa para mim é fomentar a cultura, movimentar a cena musical da cidade que escolhi pra viver e levar às pessoas beleza e alegria com este trabalho. Os críticos que me perdoem, mas eu continuo a não ligar a mínima pra eles. Nem no passado e tão pouco agora!

E viva Carmen Miranda!